Safra de café do Sul de Minas deve bater recorde, apesar de geada pontual
Produtores preveem colheita 12% maior que a anterior; preço ainda desanima.
A safra de café do Sul de Minas em 2026 deve bater recorde, com estimativa de 12% de aumento em relação ao ano anterior, segundo levantamento de três cooperativas consultadas pelo Tavuno.
Ronaldo Pimenta percorreu lavouras em São Sebastião da Vargem Alegre e Carmo de Minas. O clima favorável na maior parte do ciclo compensou uma geada pontual em junho, que atingiu áreas de topografia baixa.
“Perdi 8% da lavoura na baixada, mas o restante veio forte”, conta um produtor de Carmo de Minas, que colhe 1.200 sacas.
O volume é bom; o preço não. A saca de arábica segue abaixo do custo de produção em muitos casos, segundo análise técnica. Produtores que não têm contrato futuro estão apreensivos.
A cooperativa maior da região recomenda retenção parcial: vender o necessário para o fluxo de caixa e estocar o restante. O custo de armazenagem, porém, pesa.
Para o comércio local, safra boa é sinônimo de movimento. Mas a cautela com preço já reduziu encomendas de insumo para a próxima temporada — sinal de que ninguém está comemorando antes da hora.